Como eu vi Jesus em Minecraft
Recentemente, fiquei inspirado em jogar Minecraft de novo. Jogo desde 2013, e já fazia um tempo que não revisitava. Estive passando por problemas pessoais, e situações que me levaram a questionar minha vida, e encontrei refúgio jogando. Quando voltei ao Minecraft, resolvi criar um mundo Hardcore, um modo onde, se você morrer, perde tudo, não tem volta, e também possui a maior dificuldade do jogo.
Eu perdi, e tentei de novo umas três vezes, perdendo de novo. Depois de desistir, fiquei uns dias sem jogar, e meus amigos e eu começamos um mundo Realm (uma função que permite vários jogadores em um mesmo mundo, a qualquer momento), e me inspirei novamente a tentar meu próprio jogo Hardcore. No início, foi bem complicado, e até frustrante, mas com o tempo, fui conquistando as coisas que o jogo oferece. Fortaleci meu personagem, minhas armaduras, coletei os melhores minérios, evoluí minha vila, fiquei forte. E pela primeira vez em 12 anos, finalizei o jogo, derrotando o Dragão do Ender, no modo Hardcore, e sozinho. Foi uma conquista e tanto, e encheu minha noite de alegria.
O motivo de eu ter insistido tanto em criar um mundo especificamente no Hardcore, e não no Sobrevivência convencional, é ligado ao estado em que eu me encontrava. Esse modo é mais que um desafio, é um paralelo do quão difícil a vida pode ser em alguns momentos. Onde você pode perder tudo e até se perder, exige bem mais esforço e garra para escalar. Sou um homem cristão de 22 anos, e consegui ver, nessa jornada, o amor de Deus. Em Minecraft, começamos de mãos vazias. Um mundo cheio de perigos, mas também cheio de beleza está lá fora. Cada ravina pode ser um perigo fatal, cada Creeper que explode, pode te levar com ele. Você escolhe pegar madeira, criar ferramentas, mineirar, construir, crescer. Não há segundas chances no Hardcore, mas você ainda escolhe não viver em função do medo. A maçã dourada encantada, o Totem da Imortalidade, me levaram a lembrar da graça e da compaixão de Cristo. Não precisamos viver em função do medo, por Aquele que venceu o medo, está conosco.
Quando eu era mais novo, sempre via o Dragão do Ender como um monstro épico. Dessa vez, me vi refletindo: "Essa criatura não me fez nada. Por que devo matá-la?". Passei a ver ele como um oponente digno. Para finalizar, é necessário matar ele, sim. Mas o olhar de respeito e contemplação de um rival gracioso, muda toda a ótica dessa batalha. O amor e íntima compaixão de Jesus conseguiu me tocar dentro de um jogo. Eu não tive medo de enfrentar o dragão, estava revestido em uma armadura de Netherite encantada com Proteção IV, Remendo e Inquebrabilidade III. Eu era basicamente uma máquina de guerra, brandindo uma espada de Netherite com Afiação V e outros encantamentos poderosos. Depois de vencer o inimigo, bastou pegar a Elytra (ou Élitro), e sair voando por aí e me divertindo. Em todos esses anos, nunca tinha parado para ler o que aparece escrito nos créditos do jogo, quando entramos no portal para voltar para casa. Me surpreendi muito com o The End Poem.
O poema apresenta dois seres, não identificados diretamente, conversando entre si. Não entrarei em tantos detalhes, mas o poema brinca com o fato de você ser um jogador que lê os pensamentos deles. Alguns trechos me chamaram atenção:
"Às vezes, atravées dos barulhos de seus pensamentos, ele (o jogador) ouve o universo, sim. Mas há vezes em que está triste. Cria um mundo que não tem verão, e se arrepia em baixo de um sol escuro, e leva sua criação triste para a realidade. [...] O sofrimento é parte de sua própria tarefa pessoal. Não podemos interferir."
Isso fala muito sobre como muitas vezes, enfrentamos dores inimagináveis em nossa própria mente. Nos enchemos de ansiedades, preocupações, medos. Deus não interfere nisso, mas também nos oferece soluções. "Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso." (Mt 11:28-30)
"E o universo disse eu te amo. [...] E o universo disse que as trevas contra as quais você luta estão dentro de você. E o universo disse que a luz que você procura está dentro de você. E o universo disse que você não está sozinho. [...] E o universo disse eu te amo porque você é amor."
Esse lindo trecho do poema me fez refletir, e me trouxe de volta à passagem "Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você!" (Is 49:15)
Várias outras partes desse poema chamaram minha atenção, mas recomendo que leiam por conta própria, não vou me aprofundar muito nele. A verdade é que, se você perguntasse ao jovem Rafael de dez anos se ele jamais imaginaria ver Minecraft de um jeito tão bonito, ele acharia bobo. Hoje, consegui ver Jesus nesse jogo. É uma obra bonita, com músicas icônicas, aventuras épicas, histórias bonitas, lugares a explorar e conhecer. Também é um mundo assustador, cheio de criaturas hostis, meios de se perder de casa e de si mesmo. É também um lembrete do amor ímpar de Cristo, por nós.
Comentários
Postar um comentário